"Camisa 10"

21 novembro, 2019 Nenhum comentário
Te quero ver dono da roseira em primavera
Ganhando todos os bilhetes da rifa, de uma vez
Se alimentando do prato que te sacia... 
Eleja-me presidenta do teu fã clube?

Sem (autoridade para) nome(ar)

07 novembro, 2019 Nenhum comentário
Quero chegar numa manhã
dessas, 
que,
amanhecendo um qualquer
Entardecerás com a convicção de que és amado 
E pela noite, declararás que estás sob nova direção.
Mas que é que eu sei sobre domínio? 
(Que é que eu sei?)

A vida pode ser insalubre

13 outubro, 2019 Nenhum comentário
você parece tão perto de se rebentar, como quem esteve cativo no suor de mãos grosseiras que não souberam se regozijar no sabor da sua polpa. você nunca deveria ter esquecido de dizer como é que gosta de ser amado.

Andorinhão-preto

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Voava, sem cortes, costurando um pouso coeso. 
Por milhas, pelas longas calçadas finas de muros altos e esquinas quadradas.

Pelo caminho, mais espetáculos anômalos do que noites na Terra: 
A moça de voz grave da viola caipira, por caridade, encantando bons homens desolados em bares populares de ruas paradas; 
Um pastor desarrazoado, inaugurando um novo curral, onde as ovelhas gruda as patas nas grades enquanto leite e lã são saqueados; 
Outros, sujeitos livres, competindo para serem presos entre dentes nos pratos de palhaços políticos...

Pelo caminho, se lembrou de quando sem forças para ter fé, trocara a barriga vazia pelo fim da inocência, sem ler os termos e condições. 

E… como morrera jovem... de ódio — gostaria de ter tido a decência de vender a inocência mais cedo, para que fosse mais viva que heroína.

Ódio!
Do meio que escolhera para coar o ódio do mundo, a pingar no filhote que,
Sem escolha, agora herdara a mesma responsabilidade de uma fagulha em se manter acesa, nascida de um tição depois do apocalipse.

Dignidade aos desgraçados

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Se te pareces com um adesivo de unha rasgado que nenhuma mulher desejaria dar à mão.
Eu te escolho.

Se violeiro com plateia vazia mesmo tendo anunciado o show de graça.
Te escolho.

Se pensas que não tem crédito para reclamar a vida numa oração — porque, acreditas num deus terrivelmente credor…
Eu te escolho.

Pouco importa se tens nome.
Basta que saibas, quando é a ti quem chamo.

Catalogando as tristezas da vida, te encontrei.

Te escolheria até se a sua própria consciência fosse crime.
Por que é no calor da amizade que se descobre* humano.

______
Uma parabolazinha para dizer que o produto de ter que suportar os espetáculos dos males, não precisa ser a morte/'desdesejo' da vida.
Talvez, a vida não pudesse ser compreendida se não vi(ve)ssemos tudo que dela pode decorrer — mas não significa que é aceitável o que se deriva das injustiças. 

*Descobrir-se humano: Admitir as fragilidades da condição do "ser" e compreender a consciência do "dever ser" — uma vez que compartilhamos espaço com o 'além de nós' —, em face das manifestações de todos os sentimentos e até dos desejos e instintos mais perversos.

Poema mesquinho

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Se estivesse aqui pelo meu cacife…
Nem estaria.

Minha oferta é insípida, obsoleta, áspera, minguada, precária, acuada…

Espero que me entregue o resto dos seus desejos frustrados,
A sua parte que bra da, clandestina,

                      injustiçada,

mendiga, cética, encardida, magoada…
Que se eu fizer mal uso e levá-las à destruição, será gentileza.

Mas, se me deseja com o mesmo sabor que saliva os seus sonhos,
será ao próprio risco.
Pois, por essa aflição heroica,
não haverá prêmio de consolação. 

Cidade do medo

26 agosto, 2019 Nenhum comentário
Para cada canto que cabe o medo,  ainda é tempo de sujeição.

Há quem ofereça piedade, mas não desce do sofrimento alheio.

Olha, já me escondi num beco deste, e… sabe, quem conhecia os segredos de saída não revelaria nem por um milhão — porquê de punhado em punhado, o nosso cativeiro vale muito mais do que qualquer dinheiro.

Há vizinho que espera o marido morrer para expandir o quintal para dentro do muro da viúva — como se o pecado fosse desrespeitar a “autoridade” da casa.
Os “pastores” vendem sermões que o próprio Deus desconhece — e que, decerto, [Deus] num acesso de ira atiraria todas aquelas moedas para o meio-fio… 
E os falsos profetas, preveem a sua visão delirante de futuro e têm a ousadia de dizer que a falha, foi da nossa fé miúda...

Naquele canto que cabe o medo,
não há abraços genuínos,
nem partilha,
ou paciência,
não se evita a punição...

As almas nos escombros estranha e pacificamente, rechaçam os chamados de resgate...

A liberdade é corpo que não se atrita com quem respira.

Quanto vale o nosso medo? [vale] Tudo que sustenta a indecência do poder.

Ah! Tanta revolta e rebeldia contidas em corações cativos, que se um dia os desatassem, não descansariam reis sobre tronos…

Eu poeta, você poesia?

05 agosto, 2019 Nenhum comentário

Eu poeta, você poesia?
Se eu te escrevesse na janela do carro com hora marcada no lava-rápido?
Na areia da calçada a ser pisoteada?
Na folha que a gordura do pão se espalha?
No jornal com uma notícia direta da sucursal do inferno?

Eu poeta, você poesia?
Se eu te prendesse dentro do fogo?
Num labirinto sem fuga?
A uma conta com milhões amaldiçoados?

Vivendo saudade, te libertaria pra voltar
Na solidão desistiria de querer te despertar?
Se eu desenhasse todos os seus sonhos fugindo do medo?

Você poesia?
Nem se tivesse a graça de nascer nas cordas vocais de Maria Bethânia.

aos dias que virão

13 julho, 2019 Nenhum comentário
quando as curvas decidirem ser montanhosas, logo se abaterão, ao perceberem que os seus passos esperançosos jamais se descarrilarão do caminho.

9 de julho de 2019

O mar tá sempre revolto. Não queiras te afogar

12 julho, 2019 Nenhum comentário
Naquele sonho, em minhas mãos suspendia uma criatura gordinha que sorria. Me amou tão depressa, antes que eu pudesse aprender o timbre da sua voz. 

Bom menino, encantaste pela mãe errada. Porque, as minhas juras não são confiáveis. Nem o meu amor, ímpar.
 
Tema desenvolvido por Michelly Melo, modificado por Eli Belizário