O ciclo da exaltação

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019 Nenhum comentário
A coroa de espinho e os dois pedaços de madeira cruzados são troféus da tortura. 
As lembranças do martírio são pesadas, mas eu consigo carregá-las so dentro de mim.
Então, se vieres hoje, não os encontrarão em minhas paredes. Ora, não sou eu sua amiga?

O amor é tão atemorizante quanto a morte

domingo, 23 de dezembro de 2018 Nenhum comentário

De onde estou, por entre as frestas dos rostos jovens e macios, te vejo quase imóvel com um semblante indistinguível. Há tanto que pode ter te enfadado, que talvez agora seja dono de um coração vazio. Eu, quando estive com saúde, aboli aos pedidos de absolvição dos meus próprios pecados, para pedir que sua pele fosse endurecida para que sozinho pudesse se fazer multidão, quando preciso.
Se passaram quarenta e três anos e já não tenho força para a raiva.

borboleta no aquário

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018 Nenhum comentário
não esqueceram os olhos em cima de mim,
se não eu mesma quando voei para o lado de fora

sou batata quente sem mãos dispostas a se queimarem

quando me desejaram, foi assim: 
nem tão longe que não pudessem me ver, 
mas não tão perto que pudessem me tocar

a perfeição me adoeceu
e me machuca toda vez que atualiza sua constituição

sou peixe fora d'água, borboleta no aquário

de mãos dadas com a minha sentença mortífera,
eu não nasci só
sou a filha enésima da solidão.

Novos horizontes

sábado, 1 de dezembro de 2018 Nenhum comentário
O destino, indivíduo orgulhoso, desceu do pódio para a minha paz que sempre esteve feita. Estava pronta!

Abri os segredos da cidade

terça-feira, 20 de novembro de 2018 Nenhum comentário











Mapeei as tristezas e os territórios que as escondem
Pois, sabendo, poderás desviar o teu caminho

Entrementes, os passos ficarão mais curtos que as tuas pernas
Envolverás tu com a sujeição, deixando que fuja a liberdade?

Se permaneceres mais tempo recolhido
Que segurança impedirá que a boémia tristeza, não encontre o caminho de casa?

Porventura, encontrando-te despreparado
Não lançarei em teu rosto minha descoberta
Nem aguçarei os teus anseios arrependidos

Encorajarei que permaneças
E, percebendo a tristeza tua indiferença,
tomada será pela inapetência.

Eternos cárceres

segunda-feira, 19 de novembro de 2018 Nenhum comentário
Os ápices são eternos cárceres. O prazer de hoje deve ser igual ou mais comprido e gostoso que o de ontem. 

Para acalentar os desrumados e desalinhados encarcero quase-utopias, [aqui] onde as lágrimas podem rolar desprendidas até que as coisas tomem o rumo, sem apego e exagero, sem impulsos aleijadamente pré-concebidos.

Enquanto encontro, encanto

sexta-feira, 2 de novembro de 2018 Nenhum comentário
Quem dirá, pois, que não valera
o breve arrepio do beijo devasso?
A surpresa do abraço repentino?
O sonhar com a vitória da batalha inerte?
A recepção de um olhar piedoso?

Ora, não são também inigualáveis, as felicidades miudinhas?

O que há a ser perdido, ao executar as não promessas?
Não há encantamento no que quase nada - ou nada - surpreende.

Samaúma: De rainha das árvores à lâmina de compensado

segunda-feira, 22 de outubro de 2018 Nenhum comentário

📷: "Brincadeiras nas raízes de uma Sumaúma – Araquém Alcântara" <link>

A Samaúma, Sumaúma ou Mafumeira (Ceiba pentandra Gaertn), pertencente a família Bombacaceae, pode ser encontrada na Amazônia brasileira. Seu crescimento é relativamente rápido e pode alcançar dentre 45m até 70m - porém existem registros de que já foram encontrados exemplares que alcançaram 90m -, possui um tronco com bastante volume e raízes sobre o solo como contrafortes - que atinge até 3m totais de diâmetro - e uma copa amplamente horizontal que pode ser vista de longe - que é usada de abrigo por pequenos animais.
Suas origens são da América Tropical, África Ocidental e Sudeste da Ásia, e se difunde em florestas tropicais próximas às margens de rios. Consegue retirar água das profundidades do solo, e assim abastecer a si mesma e com o mineral 'excedente', irriga outras espécies nas suas proximidades.

Na cultura da civilização Maia, era conhecida como "Arvore da Vida", pois acreditava-se que dentre as raízes e o topo, estavam conectados o "centro da terra com o submundo e o paraíso".
Pelos indígenas, é chamada de “mãe de todas as árvores” e “escada para o céu”, pela sua escala monumental. Também era/é utilizada como instrumento de comunicação, a partir de batuques em suas raízes.

Seu segundo uso principal, é o aproveitamento das sementes, "kapok", que se parecem com o algodão e são utilizadas para fins de enchimento de artigos para a hora do sono (hoje travesseiros, mas antes, também em colchões) e decoração (almofadas) e possui alta inflamabilidade. São também usadas para fins medicinais, sendo as partes, a seiva e o chá de sua casca, respectivamente, para a cura de conjuntivite e tratamento de malária. Já o óleo produzido por suas sementes, destina-se para produção de sabão.

📷: "Kapok" <wikipedia>

A prática ilegal e aética de seu corte, por um lado assegura a sobrevivência das famílias (trabalhadores que se movimentam em qualquer período do dia, além de ‘disputarem’ entre si, quem chega primeiro para tal ação). Em alguns casos, o material é contrabandeado à República do Peru, através da fronteira desprotegida sobre o rio Javari - afluente do Rio Solimões, que nasce na República do Peru, na serra da Contamana -, onde as serrarias operam “sem controle” ou sem “maiores problemas”, como afirma o próprio proprietário de uma das serrarias.

A vida da Samaúma no coração amazônico é fundamental para a manutenção da biodiversidade, mas mesmo com tamanha grandeza (geográfica, cultural, medicinal e espiritual) vem sofrendo ameaça de extinção - não se reproduz com tanta facilidade - pois está sendo devastada clandestinamente através de mão-de-obra relativamente barata - de moradores locais, que dependem desta atividade para a sustentação da família - pagas pelos senhores madeireiros que usam para fabricação de compensados (tapumes de construções, na fabricação de móveis, carrocerias de caminhões, assoalho de container, embarcações para navegação, caixaria de construção e ainda como isolamento acústico), embarcações e pasta celulósica.

Sobretudo, o desmatamento massivo é nocivo e também ameaça a vida das tribos indígenas locais, como a dos Mundurucus, que vivem em confrontos contínuos pela sua sobrevivência e proteção de suas terras, isso quando não são destituídos de seu território sob ameaça de pistoleiros a mando dos madeireiros, como já acontecera.

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Referências: 1. "Samaúma". IGUi ecologia <http://www.iguiecologia.com/samauma/>
3. "Samaúma, a árvore da vida". Samaúma viagens <http://www.samaumaviagens.com.br/samauma-arvore-da-vida/>
4. "Samaúma - a rainha da floresta". Caliandra do Cerrado <http://www.caliandradocerrado.com.br/2009/05/rainha-da-floresta.html?m=1>

Lúcida da Silva, é meu nome psicológico

domingo, 21 de outubro de 2018 Nenhum comentário
Eu vivo sóbria o tempo todo. Não cedo ao benefício da embriaguez. Eu não posso esquecer onde estou. Ninguém pode me carregar se não sabe para onde almejo caminhar depois daqui.

Se tens a quem amar

domingo, 14 de outubro de 2018 Nenhum comentário
Nos tempos sombrios meu peito salta com mais força.
As emoções ficaram mais flácidas?

Tenho o mesmo sentimento da criança que espera pela retirada do sutiã:
hora desespero, noutra felicidade.
Ficaram mais afloradas as sensações?

Eu não tenho nada.
Nem a posse da contenção.

Não há tempo mais preciso que este para que amem, os amantes.

Minha história é dureza e ainda não aprenderam a me amar.

Eu escrevo porque sofro.
Em múltiplas unidades.
Quando não estou escrevendo, estou sofrendo.
 
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