não tenho pressa

quinta-feira, 30 de novembro de 2017 2 comentários
como é que se assegura o que não está ao alcance?

a gente tem costume de prometer coisas o tempo todo e não para nem um milissegundo pra refletir tais promessas. perfeitos acumuladores de coisas impalpáveis. 

quem é que não gosta de escutar o que é belo? 
"até depois do fim", "daqui pra eternidade"...

mas quando é que é a eternidade? e o fim? e depois?

não quero ser como a Constituição de 1988 que assegura ''o mundo', do topo ao fundo' e perece com a insuficiência de politicas públicas.

não quero garantir mais nada. benditos, se alcançarmos a infinitude! por enquanto, somos passageiros desse tempo, nesse espaço.

o tempo não vem dizendo: "com licença, senhora!" - e se existe um senhor, é o próprio. só vem e não volta.

e se um tempo desses, revoltado, vier me levar? minhas promessas não passarão de blasfêmias.
se ao menos elas fossem leais... mas não sabem ser. eu seria entregue a ser consumida, sem ar nos pulmões e com os músculos da laringe invalidados - por onde sairam as promessas -, elas continuariam em vida, me desonrando como as desonrei. seria assim, até que o tempo delas se dissipasse.

fique, mas só juro a intensidade da minha presença. sempre agora. é pouco, mas é tudo que posso.

e o ápice?

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um registro, um punhado de sentimentos materializados ou uma tentativa de solidificação de lágrimas felizes.

dessa vez, tô tentando falar do sentimento que se nutre sem presença dos corpos.

(quando a gente tá apaixonado, pensa que é só. se encerra pro externo e se faz pequeno. e não é que ser pequeno te faz menos nobre. se fazer pequeno é tão digno quanto se curvar em reverência ao que é santo. mas não é dessa paixão que tô tentando falar.)

santo! santo pra mim é o que não se corrompe.  que tem ingenuidade no interesse, que quase esvazia os pulmões, que obstrui a drenagem salival, que faz nascer o mar dentro de duas esferas... e dessa vez, não é o coração visceral - suscetível a enganos - se manifestando. é uma coisa mais certa que a certeza desse projeto de existência. uma coisa que é o ápice até que prove outro ápice.

que dignidade tenho pra escolher os amores? quem é que tem? a gente cativa, conquista, tece laços, democráticos, justos e carinhosos. ao nosso alcance, porque quando apertar mais pra um, que pro outro, é quando deve  decidir, se cabe ajustar ou desmanchar...

eu tô tentando falar duma coisa transcendental. não do sentimento desse coração visceral - suscetível a enganos.
uma coisa que só sei que é quando se manifesta, que sem busca a encontro.

olhos rasos d'água

segunda-feira, 27 de novembro de 2017 Nenhum comentário
pobre rapaz
que mora logo ao fundo
os olhos rasos d'água afogam o olhar profundo
treme de medo
desepero
teme
treme
tanto
que temo o tremor
das paredes que disputam com o coração
quem descostura a trama primeiro
rico em saudade
sobra vontade
rico rapaz
que de si não tem mais nada
que falta faz
o afago da amada

mesquinhice

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sempre quando some
declamo
por dentro
para tudo que há de santo
que nunca mais me deixe só
ou, ao menos,
que mande notícias
que cabem no bolso do meu paletó

foge
e eu corro atrás fujindo da solidão
foge?
quem mais aqui é cativo se não eu sendo arrastada no seu calcanhar?
vá devagar
ou me deixe só
e mande notícias
que cabem no bolso do meu paletó
nem que for pra dizer que não vai voltar

fugiu!
na mesma velocidade do tempo que chegou

nos bolsos do meu paletó:
mal cabem as fotografias recortadas
e os lenços que me deu,
encharcados de enxugar lágrimas

os bons se atraem

domingo, 26 de novembro de 2017 Nenhum comentário
coisas boas voltam-se a ficar amontoadas.

acredito tanto, que inventei um campo magnético da bondade - amizade - e dos amantes.

ousei apropriar do 'princípio da inseparabilidade', para um outro - e bom - fim.

agulha no palheiro

quinta-feira, 23 de novembro de 2017 Nenhum comentário
à margem do que se chama de vida,  subalterna da decepção e decidida a aceitar a não vitória.

como é que o invisível salta sobre mim e consegue me intimidar?

eu quase me rendo. eu, agulha no palheiro. 
palheiro que sacode o tempo todo durante o tempo que durar.

e eu? eu ainda o amo, amo...

(sobre o curso n. 1° em exigir 'tempo e dedicação' e uma romantização problemática que chega a ser perturbadora e excludente.)

pássaro de fogo

terça-feira, 21 de novembro de 2017 Nenhum comentário
"abominável criatura que só sabe falhar miseravelmente."

os demônios usurpadores se alimentam sem piedade, com tamanha voracidade, decididos a sucumbi-la em meio minuto.

clama clemência ao seu Amigo mais santo. roga que não permita que peque ainda mais, maldizendo o seu Nome, negando tudo que já foi alcançado. 

eleva uma prece nunca feita antes. renasce das cinzas como a Fênix. 

é pássaro de fogo. forte - e amada - suficientemente pra continuar a vida. 

a fragmentadora de papéis

segunda-feira, 20 de novembro de 2017 Nenhum comentário
a fragmentadora de papéis é um bom exemplo de lealdade. não possui vinculo emocional algum com quem a manuseia - em alguns casos, existe a relação afetiva com objetos. nela, é depositado documentos frios ou quentes, com ondas de relevância que oscilam de 0 a 10. 

mastiga tudo e revela nada. mas se por acaso, alguém lhe arrancar informações, não hesitará em contar ao individuo-dono, ao exibir seu reservatório, agora, menos cheio. 

com humanos, só é saudável mastigar e engolir quando há consentimento.

assim deve ser seus amigos. leais. tenho certeza que se você me contar sobre eles, será muito mais prazeroso de ouvir, do que a analogia com a fragmentadora de papéis.

fidelidade é um dos princípios que compõem a lealdade. fidelidade é assumir a postura de nunca fazer 'algo de errado' contra o outro - segundo seus princípios. lealdade é revelar os segredos dos seus feitos, praticados enquanto o outro não podia ver; compartilhar o que podia permanecer oculto. 

a lealdade, também é um dos sentimentos mais puros.

Um compilado chamado: "Renuncia à empatia"

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O racismo estrutural

"O cabelo de Lele", é um livro, escrito por Valéria Belém, que é: jornalista, escritora, branca e seu sonho é "tocar o coração daqueles que leem seus livros, assim como ela já foi tocada por vários autores". O problema de alguns brancos - sem generalização - escreverem sobre racismo é a forma como enxergam e sentem. Para estes, tudo se resolve com conversa e conhecimento - tudo que os racistas tem ao dispor: fala e conhecimento, fosse assim, não mais existiria racismo. 

Lele é uma menina que não gosta do cabelo ao se olhar no espelho. Seu cabelo, aparentemente - após ver a ilustração - é do tipo 4b e 4c, crespo/crespíssimo. Ao conhecer a história de seus ancestrais, reconhecer a origem de seu cabelo, Lele naturalmente começa a gostar do que vê no espelho.

Toda vez que alguém conclui um conto de racismo com final feliz, minha saliva parece ficar mais espessa e com dificuldade para passar onde sempre coube. 
Não tem como, quem não sofre racismo, escrever como é a vivencia de quem sofre. Nem quem sofre racismo consegue escrever em plenitude, como é sofrer.

Onde começa o racismo? 

"Karina, 15, se matou com medo do vazamento de fotos íntimas". Karina não sofria bullying, sofria racismo - como disse o pai da adolescente. O racismo foi praticado pelos que compartilharam o espaço social e escolar. Nesse caso, o cabelo - a raiz alta, quando o cabelo começa a crescer e a química a descer - era o alvo. A pele. Karina era o alvo. E isso - infelizmente, Valéria Belém - não acabou com final feliz.
A violência contra Karina não foi uma só. A presença do silêncio protagonizando a vida de Karina dizia muito.

Porque Lele, Karina e outras milhares de meninas pretas não gostam do cabelo? Porque não conheceram ainda sua ancestralidade? Depois que conhecerem, passarão a gostar?
Quem diz isso, nunca ouviu contar a História do Brasil.

Num outro livro infantil, "Tudo Colorido - Preconceito racial", categoria bullying - quando é que racismo virou bullying? -, escrito por Suelen Katerine A. Santos, não tive o desprazer de encontrar algo se quer, sobre a mesma. No livro, Suelen narra que a menina Tainá, de pele preta, se recusa a fazer tranças com uma cabeleireira  branca. A menina é mal educada. Depois, Tainá vê a vizinha com tranças muito bonitas e a tal disse que fez com a cabeleireira branca que Tainá havia recusado - POR SER BRANCA -. Sendo assim, Tainá voltou ao salão, pediu perdão e fez as tranças com a cabeleireira.
Suelen Katerine A. Santos, covardemente, criou um conto onde uma menina preta vulnerável é racista reversa. 
Existe inúmeras Suelen.

É assim que ensina crianças pretas, se amar, amar o próximo e como combater racismo?

Como tem gente que ainda tem coragem de 'sustentar' o pensamento meritocrático? 
"O Brasil tinha 13 milhões de pessoas sem ocupação no terceiro trimestre de 2017. Desse total, 8,3 milhões, ou 63,7% se declaram pretos ou pardos."
Conversando com um professor de História - que já foi docente no Ensino Público -, abordamos a 'ausência de interesse' da classe baixa, quanto à Educação; como os docentes tratam esses 'alunos problemáticos'; como 'ninguém' se interessa em cutucar de onde vem o 'não interesse'. 
Os docentes - sem generalização -  sofrem tanto descaso pelas instituições que representam o Estado que não têm estimulo para se interessar pelo 'não interesse alheio'. Os discentes sofrem descaso múltiplas vezes. As instituições que representam o Estado omite direitos. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é impecável, mas a ineficácia e carência de Politicas Públicas é gigantesca. Como no slogan da Reforma da Previdência: "Contra os privilégios. A favor da igualdade", as instituições que representam o Estado 'sustentam' e promovem o pensamento meritocrático.

O Brasil é rico em ausência de real igualdade de oportunidades, raciais, sociais, culturais, sexuais e de genero. Mais perigoso que lutar por igualdade é mencionar a introdução de equidade. Perigosíssimo.

Desigualdade, sexualidade, identidade e desigualdade de genero

"Lafond integrava o lado feminino da disputa e foi retirado do palco após um pedido do padre Marcelo Rossi". Quando há mais de um fator que consequentemente 'define' a vida de alguém, a onda de violência é muito mais destruidora. O patriarcado e a 'soberania' são experientes em ser hereges. Promovem a Vida e o Amor em nome de tudo que é Santo e faz tudo como não deve ser. Autores da perseguição que mata muitos.

Está disponível na Netflix, o documentário "A morte e vida de Marsha P. Johnson". Retrata a vida e morte de Marsha, ativista dos direitos trans. Enfrenta a violência que a leva a morte. Filme indicadíssimo, para conhecimento - mais conhecimento - de como é sobreviver, sendo não heterossexual e branco. 

O processo de higienização está presente. Na ausência de oportunidade, na punição por ser rebelar, no embranquecimento forçado - como no caso da peça que retrata a vida de Carolina de Jesus - e em muitos outros fatos que compõe as estatísticas.

Coleguismo asqueroso

Com William Waack, perante prova o perito audiovisual, Maurício de Cunto, concluiu dizendo que aparentemente, William, diz preto, mas que não pode afirmar que é esta palavra
O coleguismo, este sim, é coisa de violentos em potenciais. Como no caso, "Marcelo Freixo é acusado de machismo pela ex-esposa".
Marcelo Freixo, que é deputado estadual pelo estado do Rio de Janeiro, filiado ao PSOL, que 'vestiu a camisa' do feminismo diversas vezes. Também recebeu solidariedade dos parceiros.

Oportunistas em potencial

A ex-presidente Dilma Vana Rousseff, filiada ao Partido dos Trabalhadores, eleita democraticamente por 54.501.118 milhões de votos em 2014; ao se posicionar contra William Waack - enquanto nas redes, se movimentava a hashtag #coisadepreto - em seu Twitter, disse: "(...) O PT é coisa de preto. O Lula é coisa de preto. Nós somos coisa de preto. Eu sou uma coisa de preto.".
É desleal se apropriar da 'causa alheia' para promover a si. Ser empático é esquecer os próprios interesses.

Os problemas são muitos e a manutenção no sistema 'está sendo feita' - está? existe interesse  'de cima para baixo'? - erroneamente. Não há ingenuidade em nenhum momento. A falha é estrutural - naturalizada, patrimônio imaterial -, está nos livros educativos circulando nas escolas - inclusive, aprovados pelo MEC -, na apropriação de fala exercida pelos que tem privilégio em ser ouvidos, na falácia meritocrática, na omissão dos direitos, na negação de oportunidades, na reprodução de desigualdades, na ausência de empatia, ao atribuir responsabilidade e culpa à vítima, ao reproduzir que o racismo só existirá enquanto falar dele...

A Justiça não é cega. É seletiva, asquerosa, renuncia a empatia e age cientemente. Não será tirando o chapéu e dizendo: "- Com licença, senhor!", que a liberdade será conquistada.

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Todos os links foram acessados em 19/11/2017 entre 08:09PM e 10:57PM.

reverberação

quarta-feira, 15 de novembro de 2017 Nenhum comentário
engarrafo sua fala atropelada 
pra ouvir compassada 
quando o eco soar.


(parte I - desaprendendo a definir se as coisas são boas ou más e encontrando consequências benevolentes.)

tempo, tempo!

domingo, 12 de novembro de 2017 Nenhum comentário

desde o principio
não se sabe quando termina

intangível
célere
onipresente
suficiente
tempo, tempo!

cada escolha uma renúncia

sexta-feira, 10 de novembro de 2017 Nenhum comentário


esperar. verbo com etimologia bonita. se relaciona muito bem com a expectativa. essa que vem com fala mansa e te dá o direito de esperar pelo bom, mas quando decide gritar sai frustrando a ex-futura felicidade.

mas quem é que espera desprevenido?

prevenção. é esperar com subversivos, se acontecer aquilo que não deseja.

escolhas são renúncias. noite passada, com um assopro no cangote - como alguém que, com muita dificuldade sussurra "socorro!" -, acordei decidida em ser subversão pras frustrações. pras suas frustrações - eu gostaria de ser pra todos, mas no meu abraço só cabe tu e os teus problemas.

permaneço dobrada numa posição nunca explorada antes. e que a poeira me consuma! - do pó vim e voltarei.

porque, se algum dia tu naufragar, quero ser a primeira a inflar e proteger a qualquer custo esse teu peito frágil e jurar que ainda não chegou sua hora de recomeçar pra eternidade.

em solo sereno, a minha dor será indiferente - sentida com gosto. tão pequenina, se aproximada a dor de nada poder ter feito.

"muito prazer, ao seu dispor, por amor às causas perdidas..."

0800

terça-feira, 7 de novembro de 2017 Nenhum comentário

sou a lanterna pro seu desespero quando se perder na bifurcação do caminho

o ombro de ossos removidos, que te acomoda quando buscar abrigo

a que não dorme enquanto não enxugar a sua última gota de choro - e que só depois apaga a luz

a dispensável ambulante

a que lembra de ser grata pela sua vida quando se esquece

a que não mede dignidade e não cobra fidelidade

a que não enumera e não lança em rosto suas maldades

a que brilha com a mesma intensidade sempre que você clamar pelo nome

a que não é santa, nem virgem Maria
a que é amiga do seu Amigo

0800.

sistema operacional

segunda-feira, 6 de novembro de 2017 Nenhum comentário
de todas as vezes que sobre minhas costelas, da lama poupei seus pés, nem ao menos - ainda que com desprezo - expressou gratidão.

sob o sol, couro esticado, desfibrando cada centímetro quadrado.

vida de gado!

da lama lavo os pés e tiro fora meu corpo minado.

imprestável, murmurarei pelo resto dos dias. pseudo liberdade tardia.

mau tempo

domingo, 5 de novembro de 2017 Nenhum comentário
desacertando a mão
apostando em descombinação
em campo pra perder

passo a vez
tarde, cedo a vaga
nocauteada pela lucidez

eu e a jogada
fracassadas.

Rondó da Liberdade

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É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Carlos Marighella (★ 5/12/1911 - ♰ 04/11/1969)
São Paulo, Presídio Especial, 1939
- via -

saudoso sabiá laranjeira

sábado, 4 de novembro de 2017 Nenhum comentário
precoce à primavera floresci
por onde voas que ainda não te ouvi?

se pousou pra outra abençoar
de tristeza, meu sabiá
sou eu que vou cantar.

quase!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017 Nenhum comentário
🍀

me bagunça numa escala que estremece e transcende tudo de sagrado que me há. me sonda, libertando - porque permito - todas as vísceras que enjaulei por anos e sem querer, escrevo quase tudo o que tinha calculado guardar. não tem meu não. é involuntário como me esforço para aprender os seus caprichos. nada pesa, tudo pulsa.

quase ao seu dispor: tudo de bom que sinto e tudo que ouso chamar de meu. quase juro majestosamente. muso, muso, muso!
ao seu dispor: quase tudo que, escrevendo, me escapa dos dedos. minúsculas demais - eu, as frases, as palavras e as letras - para grafar a plenitude.

quase!

atrevidamente me avessa, põe quase tudo para fora, mas não se retira.

deve ser...

quinta-feira, 2 de novembro de 2017 2 comentários

deve ser de amar, sentir o calor dos vasos que vibram e agitam o líquido fervente e espesso que impulsiona a vida permitida. deve ser de amar, cada estrutura microscópica justaposta, que respira e inspira a querer ficar ali, para sempre - e fazer dos corpos uma unidade só. deve ser de amar, os movimentos do conjunto de vértebras no ápice da saudabilidade, que flexionam em compasso repetitivo e acolhedor dizendo que ali o abrigo é seguro. 

deve ser. 

a gente aprende a aprender de corpo longe, sem prender. 

o tempo que voa não volta para devolver o tempo perdido. haja vida para recuperar se eu for esperar.

escorrendo pelos vãos dos dedos dos que estão em prontidão para me segurar e esquivando dos olhares observadores que prometeram me decifrar até quando eu não souber como e quem sou, sigo avançando. negando para os que não sabem enxergar. em silêncio - é quando mais falo.
 
Desenvolvido por Michelly Melo | Ilustração por heypik.com