Novos horizontes

sábado, 1 de dezembro de 2018 Nenhum comentário
O destino, indivíduo orgulhoso, desceu do pódio para a minha paz que sempre esteve feita. Estava pronta!

Abri os segredos da cidade

terça-feira, 20 de novembro de 2018 Nenhum comentário











Mapeei as tristezas e os territórios que as escondem
Pois, sabendo, poderás desviar o teu caminho

Entrementes, os passos ficarão mais curtos que as tuas pernas
Envolverás tu com a sujeição, deixando que fuja a liberdade?

Se permaneceres mais tempo recolhido
Que segurança impedirá que a boémia tristeza, não encontre o caminho de casa?

Porventura, encontrando-te despreparado
Não lançarei em teu rosto minha descoberta
Nem aguçarei os teus anseios arrependidos

Encorajarei que permaneças
E, percebendo a tristeza tua indiferença,
tomada será pela inapetência.

Eternos cárceres

segunda-feira, 19 de novembro de 2018 Nenhum comentário
Os ápices são eternos cárceres. O prazer de hoje deve ser igual ou mais comprido e gostoso que o de ontem. 

Para acalentar os desrumados e desalinhados encarcero quase-utopias, [aqui] onde as lágrimas podem rolar desprendidas até que as coisas tomem o rumo, sem apego e exagero, sem impulsos aleijadamente pré-concebidos.

Enquanto encontro, encanto

sexta-feira, 2 de novembro de 2018 Nenhum comentário
Quem dirá, pois, que não valera
o breve arrepio do beijo devasso?
A surpresa do abraço repentino?
O sonhar com a vitória da batalha inerte?
A recepção de um olhar piedoso?

Ora, não são também inigualáveis, as felicidades miudinhas?

O que há a ser perdido, ao executar as não promessas?
Não há encantamento no que quase nada - ou nada - surpreende.

Samaúma: De rainha das árvores à lâmina de compensado

segunda-feira, 22 de outubro de 2018 Nenhum comentário

📷: "Brincadeiras nas raízes de uma Sumaúma – Araquém Alcântara" <link>

A Samaúma, Sumaúma ou Mafumeira (Ceiba pentandra Gaertn), pertencente a família Bombacaceae, pode ser encontrada na Amazônia brasileira. Seu crescimento é relativamente rápido e pode alcançar dentre 45m até 70m - porém existem registros de que já foram encontrados exemplares que alcançaram 90m -, possui um tronco com bastante volume e raízes sobre o solo como contrafortes - que atinge até 3m totais de diâmetro - e uma copa amplamente horizontal que pode ser vista de longe - que é usada de abrigo por pequenos animais.
Suas origens são da América Tropical, África Ocidental e Sudeste da Ásia, e se difunde em florestas tropicais próximas às margens de rios. Consegue retirar água das profundidades do solo, e assim abastecer a si mesma e com o mineral 'excedente', irriga outras espécies nas suas proximidades.

Na cultura da civilização Maia, era conhecida como "Arvore da Vida", pois acreditava-se que dentre as raízes e o topo, estavam conectados o "centro da terra com o submundo e o paraíso".
Pelos indígenas, é chamada de “mãe de todas as árvores” e “escada para o céu”, pela sua escala monumental. Também era/é utilizada como instrumento de comunicação, a partir de batuques em suas raízes.

Seu segundo uso principal, é o aproveitamento das sementes, "kapok", que se parecem com o algodão e são utilizadas para fins de enchimento de artigos para a hora do sono (hoje travesseiros, mas antes, também em colchões) e decoração (almofadas) e possui alta inflamabilidade. São também usadas para fins medicinais, sendo as partes, a seiva e o chá de sua casca, respectivamente, para a cura de conjuntivite e tratamento de malária. Já o óleo produzido por suas sementes, destina-se para produção de sabão.

📷: "Kapok" <wikipedia>

A prática ilegal e aética de seu corte, por um lado assegura a sobrevivência das famílias (trabalhadores que se movimentam em qualquer período do dia, além de ‘disputarem’ entre si, quem chega primeiro para tal ação). Em alguns casos, o material é contrabandeado à República do Peru, através da fronteira desprotegida sobre o rio Javari - afluente do Rio Solimões, que nasce na República do Peru, na serra da Contamana -, onde as serrarias operam “sem controle” ou sem “maiores problemas”, como afirma o próprio proprietário de uma das serrarias.

A vida da Samaúma no coração amazônico é fundamental para a manutenção da biodiversidade, mas mesmo com tamanha grandeza (geográfica, cultural, medicinal e espiritual) vem sofrendo ameaça de extinção - não se reproduz com tanta facilidade - pois está sendo devastada clandestinamente através de mão-de-obra relativamente barata - de moradores locais, que dependem desta atividade para a sustentação da família - pagas pelos senhores madeireiros que usam para fabricação de compensados (tapumes de construções, na fabricação de móveis, carrocerias de caminhões, assoalho de container, embarcações para navegação, caixaria de construção e ainda como isolamento acústico), embarcações e pasta celulósica.

Sobretudo, o desmatamento massivo é nocivo e também ameaça a vida das tribos indígenas locais, como a dos Mundurucus, que vivem em confrontos contínuos pela sua sobrevivência e proteção de suas terras, isso quando não são destituídos de seu território sob ameaça de pistoleiros a mando dos madeireiros, como já acontecera.

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Referências: 1. "Samaúma". IGUi ecologia <http://www.iguiecologia.com/samauma/>
3. "Samaúma, a árvore da vida". Samaúma viagens <http://www.samaumaviagens.com.br/samauma-arvore-da-vida/>
4. "Samaúma - a rainha da floresta". Caliandra do Cerrado <http://www.caliandradocerrado.com.br/2009/05/rainha-da-floresta.html?m=1>

Lúcida da Silva, é meu nome psicológico

domingo, 21 de outubro de 2018 Nenhum comentário
Eu vivo sóbria o tempo todo. Não cedo ao benefício da embriaguez. Eu não posso esquecer onde estou. Ninguém pode me carregar se não sabe para onde almejo caminhar depois daqui.

Se tens a quem amar

domingo, 14 de outubro de 2018 Nenhum comentário
Nos tempos sombrios meu peito salta com mais força.
As emoções ficaram mais flácidas?

Tenho o mesmo sentimento da criança que espera pela retirada do sutiã:
hora desespero, noutra felicidade.
Ficaram mais afloradas as sensações?

Eu não tenho nada.
Nem a posse da contenção.

Não há tempo mais preciso que este para que amem, os amantes.

Minha história é dureza e ainda não aprenderam a me amar.

Eu escrevo porque sofro.
Em múltiplas unidades.
Quando não estou escrevendo, estou sofrendo.

Hasta la victoria!

quinta-feira, 11 de outubro de 2018 2 comentários
A fé enfraquece, mas não morre. O coração desacelera, mas ainda dilacera. A mente cansa, mas ainda arde. O sono caminha de volta para a casa, mas quando bate a porta, saqueado é pelo medo. 

De tudo, não estamos inteiramente infelizes. Existe uma única felicidade que não se ausenta, nem por um minuto: a certeza de que nossa alma não foi corrompida. Já é vitória!



Poema da revolta e rebeldia

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"Eia! Essas revoltas contidas
Que aparecem na juventude
Dos doidos poetas
E que com eles dormem!

Tenho a minha revolta
Que dorme em cama dura
Sobre tábuas frias e estreitas
E que dá rebeldia às letras

Uma rebeldia de eternidades
Passada de mãos em mãos
De caneta para caneta

Poeta é revolta, poesia é rebeldia
Poeta sem revolta é poeta morto
Poesia sem rebeldia é letra morta.

II

Voem livres meus versos e desafiem os hipócritas
Voem livres minhas letras e desfaçam as máscaras
Tirem de todo tirano a pintura da mentira
Sejam denúncia, sejam justiça, sejam revoltas

E tragam para os nossos dias a Esperança

Porque a rebeldia nada mais é do que isso
A incansável maneira de se desejar outra realidade
Pois este mundo que foi mal inventado e nos é imposto
É sonho de poucos e de muitos apenas tronco e açoite."

Fernando Nandé. "Poema da revolta e rebeldia" <link>

Ninguém quer [ser] um Saul Goodman

sábado, 6 de outubro de 2018 Nenhum comentário
James Morgan McGill, intimamente chamado de Jimmy McGill, é um advogado em exercício na cidade de Albuquerque no estado de Novo México.

Jimmy, harmoniza a atividade profissional com o cuidado pelo irmão mais velho Chuck, que sofre de uma  doença psicossomática, uma hipersensibilidade eletromagnética que o impede de estar e permanecer na presença ou proximidade de equipamentos eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, luz solar... tornando-o prisioneiro em sua própria casa.

A série tem o nome de "Better Call Saul" (é melhor ligar para o Saul!) e conta como Jimmy se tornou Saul Goodman. Este segundo nome da personagem, trata-se de um jogo de palavras que significa "'S'all good, man!" (está tudo certo, cara! - basicamente, é a resposta para quando um delituoso o contata).

A história é um preludio da série "Breaking Bad" e começa mostrando o estado atual de Saul, após o termino de Breaking Bad - quem assistiu Breaking Bad, sabe como e qual foi o desfecho de Saul.

Certo é que, o que transformou Jimmy em "o degenerado Saul", foram as fraudes, obviamente dolosamente intencionadas quais cometeu com convicção.

Num dado momento, Jimmy passa a se relacionar com uma mulher incrível - ouso concluir que ela é "a coisa mais bonita da vida dele" -, Kim Wexler, advogada. 


Por sua vez, a senhorita Wexler é completamente o oposto de Jimmy - sou assumidamente descrente do pensamento que "opostos se atraem".

Kim, se desdobra e cria braços para todas a vezes que fora necessário ser a defesa de Jimmy, em processos judiciais. Renuncia atividades do dia, sem nem mesmo medir as tuas importâncias, para ir ao encontro de Jimmy quando o mesmo está com qualquer dificuldade, até mesmo emocional.

Contudo, Jimmy nunca reconhece todo o esforço da parceira, pelo seu bem-estar. Sempre é pouco e mostra esse pensamento toda vez que a cobra mais e mais, sem mesmo agradecê-la pelos feitos.

Pode ser que os opostos se atraem, mas não permanecem juntos. Vacilões não conseguem permanecer em relacionamento de qualquer natureza com pessoas integras, pois estas não se dobram às suas corrupções.

Jimmy se corrompeu pelo caminho da vida. Aparentemente, até na alma.

Como profissional fraudulento, as coisas começam a desandar.

[Parece spoiler, mas nota-se de cara, sem muito esforço pelos olhos do espectador:]
Em "Breaking Bad", continuação de "Better Call Saul", Kim não aparece. Concluamos o desfecho...

Nunca vou assumi-lo como Saul Goodman. A diferença é que os fraudes sob a pele de Jimmy, eram mais leves. 

Ao Jimmy, destino parte de minha pena.

prudente como a serpente

domingo, 30 de setembro de 2018 Nenhum comentário
não excites o meu amor,
até que queiras.

Nosso destino há de ser um só (Se quiseres)

sexta-feira, 28 de setembro de 2018 Nenhum comentário
Ante, trocaram o segredo das fechaduras,
ergueram muralhas no quintais,
minaram as calçadas...

Quando a fera romper as grades e o concreto,
Decerto, ninguém há de ser poupado

Mas tu,
Inocente alvo, presa primeira
De tudo, ainda seremos filhos do Deus de Davi,
Pequenos, juntos, a colocaremos por terra.

"Meu coração tá pequeno!"

quinta-feira, 27 de setembro de 2018 Nenhum comentário
A passos largos, chego ao segundo ponto de ônibus mais próximo - o primeiro: menos gente, mais perigoso -, olhei a previsão de chegada da linha, sentei num banco vazio.


Surge um senhor. Diz algumas palavras. Solta murmurinhos reclamões e ameaça partir. Então desligo a música e disponho a ouvi-lo.

- "Ah, agora cê ouviu? Fica nesse WhatsApp"
- "..."

[Não sabe que a ferramenta não é minha prioridade. Certo é, que estava escolhendo uma lista de reprodução para o momento]

Roupas aparentemente limpas, exalando odor etílico. Corotinho, - de qualidade ruim, consumido pela classe trabalhadora - de meio litro de pinga barata, em mãos.

- "Desculpe, eu tava chorando, desculpe!"
- "Todo mundo chora, senhor!"
- "Dizem que homem não pode! Sou caipira, lá de Minas! Cê já chorou?"
- "Sim, senhor"
- "E por quê?"
- "Ah, não sei. Não lembro, as vezes acontecem umas coisas na vida..."
- "Isso, por isso que a gente chora"
- "Hum..."
- "As pessoas me desprezam, mas tenho o meu valor"
- "Sim, senhor. Importante ter essa consciência"
- "As pessoas não dão valor em mim. Cê não sabe da minha vida"
- "Justamente, não sei"
- "Mulher é um bicho..."
- "Não senhor!"
- "Mulher é um bicho mais inteligente que homem!"
- "Não, não podemos pensar assim..."
- "Mas são... Eu fui traído e tô apaixonado..."
- "Que triste"
- "Você já fez isso? Ou alguém já fez isso com você?"
- "Não senhor, felizmente"
- "Então, cê não sabe"
- "Graças a Deus"
- "Eu amava... amo essa mulher"
- "Complicado"
- "Nove anos juntos! Eu fui sincero, oh, falei que ficaria com ela pro resta da vida... ela também disse"
- "... sua esposa?"
- "Mas ela me traiu"
- "Ela já deve ter se arrependido"
- "Não importa. Outro dia vi ela..."
- "Em algum momento algo se perdeu"
- "Oh, eu amo aquela mulher"
- "É assim, as vezes as pessoas são egoístas e nos machucam. Devemos tentar não magoar quem a gente ama"
- "Isso mesmo..."
- "..."
- "Eu sou um cara legal. Sou um bom mecânico, gosto de jogar futebol lá no XV de Novembro. Sou goleiro (e disse que as vezes também ocupa outra posição que não faço ideia qual seja)."
- "Ótimo. Importante ter essa consciência. / Jogue bola pra passar o tempo!"
- "Você é legal e bonita... sabe disso?"
- "Sei sim"
- "Oh, todas essas pessoas aí... aquela ali com a camiseta do supermercado, né?"
- "Rs..."
- "Ninguém liga pra mim, ninguém me dá valor... Eu tô bebendo sim, mas ninguém sabe dos meus problemas. Eu bebo mas fico consciente..."
- "Muito bem"
- "Sou respeitador..."
- "Hum..."
- "Meu coração ama ela... Quanto tempo cê acha que leva pra deixar de amar?"
- "Não sei não. O tempo vai dizer..."
- "Me disseram que são dois anos!"
- "Não existe receita. O tempo vai dizer"
- Moça, amanhã o que cê vai pensar de mim?"
- "Pensarei nada não, senhor... não posso julgar as pessoas!"
- "Viu? Cê é inteligente. As pessoas são o que pensam...Gosto de você. Amo você"
- "Hum..."
- "Amo todo mundo..."
- "Ok!"
- "Ok, é o que?"
- "Está certo, tudo bem"

[O ponto esvaziou-se e enchi de medo...]

- "Com todo respeito, cê é bonita. E tá conversando comigo. Sou feio, tô bebendo..."

[Gesticulou que apertasse sua mão. Apertei.]

- "Cê é gente boa..."
- "Bom saber..."
- "Então tchau!..."
- "O senhor já vai?"
- "Não, estou esperando o ônibus, mas... tchau!"
- "Tchau"

[Embora a solitude seja minha confidente, aquarianos gostam de gente, de seres, vivos.]

Encaixo os fones e ligo a música. Ao fundo, sigo ouvindo:

- "Meu coração ta pequeno! Meu coração tá pequeno! Eu tô apaixonado! Já fiquei com outras, mas eu sou sincero... não digo que amo, se não amo... (e disse umas coisas que objetificam mulheres)"

O ser humano é um bicho sensível, humano. A infidelidade fere amores imortais. A SOLIDÃO É FERA, A SOLIDÃO DEVORA.

Desci no ponto mais perto de casa. Passei no mercado da esquina, comprei um bolo de laranja... e começa a tocar:

"Não há ser humano que aguente
Tanta solidão vai acabar com minha raça
Não há nada que eu faça
...
Bebendo pra entender o que cê fez comigo
Um copo de cerveja, um coração ferido"

Chego em casa. Subo a escada e ao fim do corredor, está lá, Sophia (a criança que mais amo no mundo), com um body de fundo branco estampado com o tigre da turma do urso Pooh.

________
O final feliz dos contos, aquele provoca desejos intangíveis, construídos sob uma visão única possível do amor, esse mal nunca me enganou. Por que o amor não cabe em nenhum confinamento. Nem na literatura. Nem mesmo no peito.

Final feliz é isso. Ainda que triste ou desmotivad@ com as batalhas inertes da vida, ao fim do dia, o amor estar te esperando. 
Se foi minha última prosa? A última vez que vi o amor ao fim do corredor vestindo body branco? Final feliz.

AMAR É FORTALEZA, FONTE DE VIDA.

26 de Setembro de 2018.

Negros que lutaram com o exército do RS receberam a morte como recompensa

quinta-feira, 20 de setembro de 2018 Nenhum comentário
"Uma das guerras mais importantes do país, a Revolução Farroupilha também foi palco de uma das histórias mais controversas, desleais e intragáveis da sociedade brasileira. Negros que lutaram com o exército do RS receberam a morte como recompensa no Massacre de Porongos"

via @Savagefiction

"Tudo começa na famosa Guerra de Farrapos, que colocou do lado o império contra os proprietários de terras escravagistas. Na época o Brasil era dividido em províncias e o RS era a província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Os farrapos queriam independência.

Os insurgentes gaúchos, proprietários rurais reivindicavam um tratamento mais privilegiado como a diminuição dos impostos, porém a província tem um amplo histórico de divisões ideológicas com o Governo Regente - por várias vezes tentaram instaurar um governo próprio.

Quando a revolução tomou caráter separatista, foi proclamada a República Rio-Grandense em 1835. Eram muitas frentes de batalhas, enquanto algumas tentavam destituir o presidente provincial em Porto Alegre, outras confrontavam o exército do império.

Com uma nova república as regras poderiam ser diferentes, inclusive as leis de escravidão. Mas se engana quem acredita que os Rio-grandenses eram abolicionistas visionários da liberdade para todos. A guerra que durava anos necessitava de recursos bélicos, principalmente soldados.

A princípio os negros mantiveram seus trabalhos escravos, mas logo foram convidados para a luta pela nova república sob a promessa de receberem a liberdade . Morrer no campo de batalha era melhor do que no tronco com grilhões, muitos agarraram a chance com fervor.

Dois corpos militares foram criados, com mais de 400 homens que vinham inicialmente de onde hoje residem os municípios de Canguçu, Piratini, Pedro Osório, Arroio Grande e outros. A grande maioria dos negros não eram libertos pelos farrapos, estes no máximo vendiam para a guerra.

Então quando atacavam uma fazenda inimiga, eles ofereciam a carta de alforria para que fizessem parte do exército. Os negros nunca tiveram os mesmos ideais da República Rio-Grandense, estavam ali pela sua sobrevivência e a esperança de liberdade.

Apesar disso, lutavam com ferocidade. Criaram  bastante temor nos militares do Império. “Nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo…” - Giusebbe Garibaldi em biografia escrita por Alexandre Dumas.

Participaram de batalhas importantes como a do Batalha do Seival, quando os revoltosos gaúchos enfrentaram as tropas imperiais para derrubar o presidente da província - o equivalente ao governador nos dias de hoje. Cada vitória era um combate pela liberdade dos seus irmãos negros

O conflito entre as duas repúblicas era danoso para ambos, na verdade o Império nem reconhecia aquela província como república. Então tentou finalizar o conflito (de 10 anos) de forma diplomática, até prometendo ressarcir os gastos com o conflito de alguns proprietário.

O tratado de paz começou a se consolidar entre o império e a república Rio-Grandense, mas um grande impasse surgiu: o que fazer com os lanceiros negros que lutaram por uma década ao lado dos farrapos? O Brasil não iria alforriar negros com treinamento militar.

Alguns farroupilhas entregaram os negros de volta a escravidão outros resistiram temendo uma rebelião pela traição que estavam cometendo. O responsável pela aproximação e tratado com os Farrapos era Luiz Alves de Lima e Silva, mais conhecido Duque de Caxias.

Em  1844, Duque de Caxias, com general farroupilha David Canabarro chegaram a uma solução para o conflito. Canabarro ordenou que os Lanceiros negros montassem acampamento, desarmados, no local conhecido como Arroio Porongos, atualmente chamado de Pinheiro Machado.

Na época os acampamentos eram segregados, os farroupilhas estavam em outro local e nem parecia haver problemas já que um tratado de paz estava para se concretizar. Mas na madrugada do dia 14 de Novembro daquele ano os lanceiros negros foram atacados pelo exército imperial.

Os Lanceiros assassinados foram de 600 a 700, como vocês sabem Duque de Caxias se tornou o patrono do exército Brasileiro. Relembrar essa história é honrar os verdadeiros heróis da liberdade."



Texto de Ale Santos, disponível em @Savagefiction
_

Notas: a) Todo 20 de Setembro, ainda é celebrado o dia do gaúcho. Existe no ato, intenção dolosa, pois eles nunca venceram a batalha contra o império.
Outro fato, é que aqueles que derramaram seus sangues a espera da liberdade, permanecem na insignificância, ano após ano, caminhando para a perpetuidade.
b) Grata sou, ao querido Dani de Lucca, por todo conhecimento e colaboração com indicações.

re·sis·tên·cia

quarta-feira, 5 de setembro de 2018 Nenhum comentário
resistência foi ele querer continuar, quando recusei as setas e segui fora da curva.



contrapoder

terça-feira, 4 de setembro de 2018 Nenhum comentário
se desmedido meu proveito
apague as luzes e não me olhe na penumbra da saudade,
perdida,
sem rumo

anuncie, pois, 
da pedra mais alta da cidade
pra que outras moças não comprem o meu paradoxo.
_
se as propostas de parceria te desafiarem a ser inconsistente em tuas verdades, querida, não se corrompa. desaposse-me do meu bem!

po·e·si·a

domingo, 2 de setembro de 2018 Nenhum comentário
poesia é o que ele diz entre as nossas primeira e última hora.



re·vo·lu·ção

sábado, 1 de setembro de 2018 Nenhum comentário
revolução é o que ele faz entre a chegada e a despedida.

Aquilo que é nocivo, não é meu amigo!

quinta-feira, 30 de agosto de 2018 2 comentários
reprodução instagram

As minhas tias paternas não compram produtos em brechós e tentam me converter às ideias. O motivo é simples: "Vêm com más energias!".
Ofensivo.

Hoje, li algo que me incomodou: "Não compre filtros na rua de qualquer pessoa (sic), alguns foram feitos por presidiários e não contém boas energias!". Fala-se de filtro dos sonhos, mas vamos falar das coisas, com amplitude.

Alguém tão próximo de mim, com sangue pulsante da minha avó materna, esteve em reclusão por anos, cumprindo pena por posse de entorpecentes com intenção de tráfico e distribuição. Ele disse que era para o próprio consumo - e eu acredito, sabemos quem é que é o alvo da PM.
Não sei ao certo se, nas visitas, entre idas e vindas da tua mãe, ela trouxe um novelo de lã que sobrara de um dos teus trabalhos. Minhã mãe fez uma blusa macia, que isola o frio do lado de fora do meu peito - e mantém em temperatura natural meu coração aquariano.

Passaram os anos, sigo/seguimos sem consequências má enérgicas. E não que em momento algum, esperei essa tal energia inimiga chegar. Mas ela não veio.

Os artigos produzido das atividades oriundas da detenção, são frutos da promoção  - ou tentativa de - da reinserção social por meio socioeducativo. Como pode advir do mal, o fruto gerado em nome do bem?
É bom que tomemos conhecimento de uma absolvição com nome de "redenção", o que não se aplica para todos - pois depende tão somente de cada um - mas, porque não considerá-la no pré julgamento?
O julgo humano não é suave.

Quanto aos brechós: quem sofrerá, ou deixará de ser ajudado, com a minha rejeição em apoiar o terceiro setor?
O terceiro setor é a ação afirmativa aos necessitados, que compensa o descaso do Estado; a politica publica de iniciativa privada. O quão difícil às organizações assistenciais e entidades filantrópicas, é "empreender" em prol social? Não devemos compactuar com os incentivos?

Mas é obvio que a recusa justificada se trata de espiritualidade. Quanto ao que você considera frutos podres: qual é o milagre que teu Santo não possa fazer? Qual a vez que teu Santo renunciou a tua proteção? Que Santo é bom para você, mas se recusa amparar a criatura desamparada?
[Para além disso, a hipocrisia: porque você pode doar, mas não pode adquirir originários de doações?]
O meu Santo é onipotente, onisciente e onipresente. Eu não ousaria justificar minha deformidade ótica em Teu nome.

Comprar roupas e artigos novos baratíssimos, proveniente de mão de obra análoga a escravidão, promovendo o capitalismo selvagem, não tem problema?

Somos melhores que o outro? Não eu, por compaixão. Nossas escolhas deixam de ser justas quando causa dano ou lesão ao outro.

Quem ou o que, têm sido nocivo? Depende da perspectiva de quem vê.

"Das utopias"

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"Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!"

💬 Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro (30 Julho 1906 - 05 Maio 1994).

via: "Escritas.org"

"Still I Rise"

quarta-feira, 29 de agosto de 2018 Nenhum comentário
"Você pode me inscrever na história
Com as mentiras amargas que contar
Você pode me arrastar no pó,
Ainda assim, como pó, vou me levantar

Minha elegância o perturba?
Por que você afunda no pesar?
Porque eu caminho como se eu tivesse
Petróleo jorrando na sala de estar

Assim como a lua ou o sol
Com a certeza das ondas no mar
Como se ergue a esperança
Ainda assim, vou me levantar

Você queria me ver abatida?
Cabeça baixa, olhar caído,
Ombros curvados como lágrimas,
Com a alma a gritar enfraquecida?

Minha altivez o ofende?
Não leve isso tão a mal
Só porque eu rio como se tivesse
Minas de ouro no quintal

Você pode me fuzilar com palavras
E me retalhar com seu olhar
Pode me matar com seu ódio
Ainda assim, como ar, vou me levantar

Minha sensualidade o agita
E você, surpreso, se admira
Ao me ver dançar como se tivesse
Diamantes na altura da virilha?

Das choças dessa história escandalosa
Eu me levanto
De um passado que se ancora doloroso
Eu me levanto
Sou um oceano negro, vasto e irrequieto
Indo e vindo contra as marés eu me elevo
Esquecendo noites de terror e medo
Eu me levanto
Numa luz incomumente clara de manhã cedo
Eu me levanto
Trazendo os dons dos meus antepassados
Eu sou o sonho e as esperanças dos escravos
Eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto."

💬 Poema de Maya Angelou. Escritora, ativista, foi dançarina, cantora, motorista de ônibus, editora de uma revista no Cairo (Egito) e assistente administrativa em Gana, atriz, professora e pesquisadora, entre outras atividades. Foi amiga de alguns dos maiores líderes negros do século 20, como James Baldwin, Martin Luther King Jr. e Malcolm X.

tradução: "Francesca Angiolillo"
via: "Folha

"Blackbird"

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"Por que você quer voar pássaro negro?
Você jamais vai voar

Não há lugar grande o suficiente para suportar todas as lágrimas que vai chorar

Porque o nome da sua mãe era solidão e o
nome de seu pai era a dor

E eles te chamam de pequena tristeza porque
você nunca vai amar novamente
Então porque você quer voar pássaro negro
você jamais vai voar

Você não tem ninguém para te abraçar você
não tem ninguém para cuidar

Se você apenas entender querida ninguém
quer você em qualquer lugar

Então porque você quer voar pássaro negro
você jamais vai voar."

💬 Música de Nina Simone. Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo nome artístico (Tryon, 21 de fevereiro de 1933 – Carry-le-Rouet, 21 de abril de 2003) foi uma pianista, cantora, compositora e ativista pelos direitos civis norte-americanos.

letra: "Vagalume"

"Ain't I a woman?"

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"Bem crianças, onde há muita algazarra, deve haver alguma coisa fora da ordem. Eu acho que com essa mistura de negros do sul e mulheres do norte, todos falando sobre direitos… os homens brancos vão estar em uma enrascada rapidinho. Mas sobre o que estamos falando aqui?

Aqueles homens ali dizem que as mulheres precisam de ajuda para subir em carruagens, serem levantadas sobre valas e ter o melhor lugar onde quer que estejam. Ninguém jamais me ajudou a subir em carruagens, ou a saltar sobre poças de lama, ou me deu qualquer “melhor lugar”! E não sou uma mulher? Olhem para mim!

Olhem para meus braços! Arei a terra, plantei, juntei a colheita nos celeiros, e nenhum homem podia se igualar a mim! E não sou eu uma mulher? Eu podia trabalhar tanto e comer tanto quanto um homem – quando eu conseguia comida – e suportar o chicote também! E não sou uma mulher? Eu pari treze filhos e vi a maioria deles ser vendida para a escravidão, e quando eu chorei meu luto de mãe, ninguém a não ser Jesus me ouviu! E não sou uma mulher?

Daí eles falam dessa coisa na cabeça… como eles chamam isso? Intelecto. É isso mesmo, querido. Bem, o que isso tem a ver com os direitos das mulheres? Ou com o direito dos negros? Se o meu copo não tem mais que um quarto, e o seu está cheio, não seria maldade não deixar que eu tenha minha meia medida cheia?

E aí vem aquele homenzinho de preto ali e diz: “Mulheres não podem ter os mesmos direitos que homens porque Cristo não era mulher!” Ora, de onde veio o seu Cristo? De onde veio o seu Cristo? De Deus e de uma mulher! Homens não tiveram nada a ver com isso. Se a primeira mulher que Deus fez foi forte o bastante para virar o mundo de cabeça para baixo sozinha, todas estas mulheres juntas aqui devem ser capazes de colocar ele de cabeça pra cima de novo! E agora que elas estão pedindo para fazer isso, é melhor os homens deixarem!"

💬 Não sou eu uma mulher?, proferido por Sojourner Truth em 1851 durante uma convenção em Akron, Ohio, Estados Unidos. 
Sojourner - nascida Isabella Baumfree em 1797, ela mudou seu nome em 1843 para Sojourner, que significa "peregrina" -, escrava liberta que se tornou abolicionista e ativista pelos direitos das mulheres.

disponível em: "Clarices e Marias"

Como extinguir estupradores?

segunda-feira, 27 de agosto de 2018 Nenhum comentário
Tortura, é a imposição de força de um indivíduo sobre o outro; a dominação para fins de "crueldade, intimidação ou punição", tendo como consequência o dano físico ou psicológico, a destruição da individualidade. Isso é o estupro.

Supremacia de gênero, é a ideologia conservadora de que existe diferença de importância entre os gêneros ou que um é mais legítimo que os outros. Em questão, o masculino é universalmente superiorizado e os que sustentam isso, sentem repulsão por todos os outros gêneros. O estupro tenta afirmar isso.

Objetificação, é o ato de tratar outro individuo como descartável, considerando que o mesmo não tem caráter de unicidade e que não é senciente. O descartável é o que "se deita fora após uma ou mais utilizações, objeto facilmente substituível". É essa a perspectiva do estuprador para com a vitima.

Estas são apenas três das violações.

Para qualquer sujeito capaz de pensamentos coesos, sem mais é possível perceber que estas e outras não são reproduzidas pelo órgão sexual masculino. São exercidas e reproduzidas por seres humanos concebidos com o órgão sexual masculino.

A inibição do impulso sexual em forma química ou cirúrgica é "corrida perdida antes mesmo da largada". A diminuição do desejo sexual ou da possibilidade de ereção não faz com que o individuo perca o interesse em violentar, visto que existem outros instrumentos passiveis de violar a vitima tanto quanto o falo. O fato é que o ato não será impedido de ser cometido. Os meios não altera o fim.

O próprio autor da PL 5398-2013 é um estuprador em potencial/recluso (que pensa que relação sexual forçada, o estupro, é método corretivo para algo que acredita ser verdade única) e vive a insultar e violar - com palavras, até então - a população feminina. Haja visto seus pensamentos expostos, tal como "Só não te estupro porque você não merece".

Pode um individuo exercer a defesa e a acusação de uma única parte, simultaneamente?

Considerando a laicidade, não seria bom que incluíssemos na analise a fé que Jair Messias diz professar. Mas, no minimo, com tamanha hipocrisia perfaçamos que este é um discípulo adepto a traição.
O que diz "Michelle, enquanto não faltar água no mar, não deixarei de te amar" para a esposa, também diz "...Foram quatros homens. Aí, no quinto eu dei uma fraquejada e veio mulher". [O Pai fraquejou? A Tua imagem e semelhança, podemos descartar?]

Pode um individuo exercer a defesa e a acusação de uma única parte, simultaneamente?

A castração não é o gume que corta os pés do mal para que deixe de caminhar. O projeto é tanto incoerente que propõem voluntariedade do transgressor: considerando a fragilidade da nossa construção social de masculinidade, só consigo pensar em "o voluntário involuntário".
As medidas correcionais devem funcionar segundo a sociedade qual será aplicada, e não apropriar-se de leis estrangeiras considerando que estas são onipresentemente eficaz.

Deve-se pensar em anticonceptivos e não em "pilulas do dia seguinte". Mas para tal, é necessário que isto seja feito a partir da perspectiva do sujeito vitima, ou seja, mulheres precisam ser eleitas, para pensarem políticas feministas - que também tenha como objetivo a proteção integral da criança e do adolescente.

Não se pensa solução sem antes pensar prevenção. Deve-se viabilizar mecanismos que invistam em educação progressivamente efetiva, pois enquanto for precária ou nula, terão que continuar alimentando os sistemas de repressão e punição, os quais dissecam e consomem "corpos vazios e sem ética".
Educação de qualidade, não significa que pessoas violentas deixarão de agir, mas reduzirá a propensão para corrupção ao ensinarmos às nossas crianças como serem íntegras e mais próximas da irrepreensibilidade social.

E nós, individualmente perceptores de sentidos e socialmente lúcidos, cuidemos de nossa estabilidade psicológica - o que tem sido luta íngreme - para que juntos e com firmeza, não deixemos sucumbir a consciência social em nome da justiça [revolucionária].

 esta soy yo!Eli Belizário
Pitaqueira em assuntos importantes e/ou legais 😊

Indivisíveis!

sábado, 25 de agosto de 2018 Nenhum comentário
O mal não pode te alcançar ou decerto chegará tarde, depois que tiveres imune. Fé para isso, eu tenho. Para isso, eu tenho. Indivisíveis: tu e minha oração.

Culpados demais para sermos bons...

segunda-feira, 13 de agosto de 2018 Nenhum comentário
A culpa - tratando aqui, tocante a psique -  é a frustração que nasce da ânsia que temos em sermos perfeitos/em nos sentirmos completos, mas que por alguma(s) circunstancia(s), não conseguimos alcançar esse modelo imposto - imposição essa, que pode ser de nós para nós, ou de outrem para nós.

Essa construção do pensamento de que fizemos algo errado/que deixamos de fazer algo que poderíamos ter feito/que algo fizemos foi prejudicial à alguém, resulta nesse sentimento.
De imediato e por tempo indeterminado, nos punimos de formas cruéis, como: nos privamos/abstemos das ações que gostamos, exercemos auto pressão psicológica, confessamos e nos penalizamos como arrependimento em troca de absolvição divina...

Consequentemente, a culpa nos provoca percepção de insignificância, como se fossemos tão inúteis que nada sabemos fazer de modo eficaz. Ou ainda, importantes demais, ao nos indiciar como delituosos em vidas alheias. Importantes demais, porque de fato, não temos poder efetivo no outro, somente se o mesmo permitir, contudo, esse é um dos efeitos maléficos duma relação abusiva.

"Cada escolha, uma renúncia, isso é a vida...", temos que lutar pela nossa recomposição. Se a verdade nos liberta, a batalha repressiva contra nós está edificada na mentira.

Compreendamos a raiz do sentimento, peçamos perdão; perdoemos-nos; aceitemos o problema, pois não podemos ter controle sobre tudo; tentemos não repetir outra vez... E claro, ao ponto, busquemos por um profissional.
Sejamos auto empáticos, como seríamos com nossos queridos!

Reabilitemos-nos, sem penalização.


 esta soy yo!Eli Belizário
Pitaqueira em assuntos importantes e/ou legais 😊

Afro cristãos brasileiros sofrem amnésia histórica?

domingo, 12 de agosto de 2018 2 comentários
CATOLICISMO E EVANGELIZAÇÃO
No inicio dos últimos cinco seculos, houveram projetos de evangelização, sob olhos colonizadores. O Império concedia poder para a Igreja, que por sua vez tinha poder influenciador na vida politica do país.
A posição da Igreja em relação aos escravizados era de consenso com a opressão, pois não os acolhiam, uma vez que vigorava uma união exploradora com colonizadores.
As propostas evangelizadoras não tinham como interesse a emancipação dos escravos. Os negros não eram aceitos e não lhes eram assegurados o direito de exercer a fé em sua própria religião: assistiam "do lado de fora" ou praticavam sincretismo.
(Mas antes mesmo de grande parte da Europa, o cristianismo se difundiu na Etiópia (no Império de Axum), conclui-se que, posteriormente, os negros não se apropriaram da fé do opressor).

A INSTALAÇÃO DO PROTESTANTISMO NO PAÍS E SUA [NÃO]PREOCUPAÇÃO COM A ESCRAVIDÃO
No século XIX, uma nova vertente do cristianismo, a Igreja Reformada se instala definitivamente no Brasil. 

No inicio não foi tarefa fácil, sofreu rejeição, expulsão, perseguição e conflitos de interesses constantes entre católicos e protestantes.

O Protestantismo chega com a proposta de renascimento, inclusão e [re-]humanização, também aos imigrantes: um Deus que não abraça tão somente a burguesia capitalista. Seria esse o inicio do progresso, do reconhecimento e da atribuição de dignidade humana aos oprimidos? O inicio da emancipacão?

Os missionários em sua maioria eram norte-americanos. Seus principais ideais eram a separação entre a Igreja e o Estado; promover a educação, a democracia e a liberdade de pensamento. Se identificavam como Liberalistas.
Porém, além de instruírem os novos convertidos a libertarem seu súditos, não concretizaram ações que de fato mudaram a ordem social estabelecida. Outros agentes missionários ainda, usaram de mão-de-obra escrava para se instalarem no sudeste brasileiro.

A grosso modo, só concordaram e assumiram posições mais brandas e contrárias ao sistema governamental escravocrata, quando o mesmo foi abolido - mas há muito a ser lido sobre as posições declaradas e individuais, das diversas igrejas protestantes.

À MARGEM SOCIAL, NUM NÃO LUGAR
Contudo, o movimento cristão - de modo geral -, foi seletivamente acolhedor e comungou com a escravidão - houve consenso ao não ser anti-escravista. Não promoveu o discurso e ações emancipacionistas efetivas.

O Protestantismo correspondia com os interesses da classe dominante - os senhores de terras/senhores de escravos. Isso era claramente visível nos veículos impressos - de autoria dos missionários protestantes -, por exemplo, o povo negro não era contemplado como agente de mudança histórico-social - mas sim quem antes o detinha: os senhores.
Nesse momento - após a abolição - a visão que se tinha é de que o povo negro deveria ser "resgatado, regenerado e educado", segundo os princípios morais protestantes e então só assim este se tornaria humilde e distante da rebeldia (raiva), para que pudesse se tornar produtivo e ativamente saudável na práxis: o caminho que leva a sociedade a liberdade.

Desprendido de seus senhores e teoricamente livres, os negros se perceberam num não lugar, instalados numa sociedade com bases racistas, sem infraestrutura ou oportunidades de trabalhos para se edificarem - sozinhos - como humano.

A FÉ QUE LIBERTA: CONTRA TODA OPRESSÃO
Um pulo - com pernas grandes - aos dias atuais, para compreender de forma coesa a presença negra num espaço considerado racista - pós conhecimento da participação dessa fé, num sistema escravocrata.

A leitura do livro sagrado, a Bíblia, desde o princípio foi feita a partir do olhar eurocêntrico, sexista, classista...
Para o começo de uma fé libertadora, é preciso que a hermenêutica seja apropriada a partir da perspectiva e história de quem a lê - por exemplo, quando os negros, a classe dominada, as minorias tornam sujeitos que reinterpretam e conduzem o sentido da leitura é diferente de como o cristão-fascista a faz.
Não há leitura neutra e absoluta e com isso é possível [re]conhecer o Evangelho, que é de fato acolhedor, abundante em amor.

"É importante ressaltar que, em momento algum, a Bíblia foi neutra diante da escravidão, antes serviu como “ferro em brasa” e “algemas” que aprisionavam negras e negros no “doce inferno” do engenho de açúcar." (...) "foi usada não apenas para legitimar a escravidão, mas também para amaldiçoar o povo negro, através de sua interpretação repleta de etnocentrismo"(ref. 1)

A Teologia Negra (Teologia da Libertação) - surgiu entre 1966 e 1969 nos Estados Unidos, sob a liderança de Martin Luther King - nasce da discriminação vivida e designa a libertação do "pecado social que marginaliza e escraviza".

"...Ela se concentra na reflexão teológica sobre a luta dos negros norte americanos, liderados no princípio pelo pastor batista Martin Luther King Jr., para conseguirem a justiça e libertação sociais, políticas e econômicas numa sociedade dominada pelos brancos. (...) Ela encontra na Bíblia uma base para o sentido político da libertação, isto é, o êxodo do Egito. E ela encontra na experiência religiosa dos escravos negros, manifestada nos seus cânticos, sermões e orações que destacam a ressurreição de Jesus, a base para o sentido escatológico ou futurista da libertação. A teologia negra pode ser classificada como um tipo de teologia de libertação, pois ela se preocupa basicamente com a libertação de um grupo de oprimidos..." (ref. 9)

O povo negro cristão, reconhece o Evangelho como potencial libertador, trazido por Jesus Cristo, Aquele que foi penalizado com morte por sustentar seus princípios de justiça.
A divida histórico-social com os negros, não deve ser atribuída a Deus e seus ensinamentos. Iniciou-se com a leitura e [não]ações intencionalmente violentas pregada pelo Estado-Igreja, para legitimar seus interesses.

Pelas vezes que puseram sob analise a sanidade negra e a atribuíram incapacidade coerencial, quando este sujeito se afirma cristão: não há amnesia histórica. É preciso reinterpretar as escrituras - pela perspectiva do oprimido - e a representação de Jesus:
"Aquele que condenou o acúmulo de riquezas; andou com os pobres; anunciou a partilha dos bens; disse quera preciso escolher entre o amor a Deus ou ao dinheiro; impediu processos de execução; não estimulou a violência; acolheu as pessoas humilhadas pelos preconceitos culturais e religiosos; confrontou as estruturas de poder..." (...) "precisamos abraçar a causa da justiça econômica; do respeito à diversidade; da critica ao poder; do grito dos oprimidos."(ref. 2)
"Liberto e livre, ninguém aqui é incapaz,
Viver bem com a consciência Plantando a semente da paz
Ajudar ao próximo mais do que você pode
Sei que és forte, corajoso, não mede esforços,
A força divina não vai lhe abandonar,
O despertar do amanhecer é uma nova conquista,
De quem não se entregou e para aquele que acredita,
Injustiça não há nas mãos de Deus,
Se apegue a ele...
" (Se tu lutas, tu conquistas", Somos Nós a Justiça) 
Prevaleçam o Amor e a Caridade. Permaneçam a lucidez, a participação social, a promoção da dignidade da vida, o movimento progressista... que Teus passos sejam seguidos.
A Tua imagem e semelhança: um Jesus que abraça a diversidade e desmonta o etnocentrismo.
_
Indicação:
a. "Não existe leitura neutra da Bíblia", Ronilso Pacheco. <link>

Referencias bibliográficas:
1. "Hermenêutica Negra Feminista: um ensaio de interpretação de Cântico dos Cânticos 1.5-6"., Cleusa Caldeira. <link>
2. "Jesus era de esquerda?", Henrique Vieira. <link>
3. "Como a Igreja Católica tratou negros e negras nestes 507 anos?", David Raimundo dos Santos. <link>
4. "'Negro não entra na igreja: espia da banda de fora' - protestantismo e escravidão no Brasil Império", Márcia Leitão Pinheiro (resenha do livro). <link>
5. "500 anos do Protestantismo e escravidão no Brasil", Hernani Francisco da Silva (para Afrokut). <link>
6. "As igrejas coptas da Etiópia: Em busca das raízes cristãs", Marcello Lorrai. <link
7. "Afro Cristianismo no Brasil", Marco Antonio Sá. <link>
8. "O Protestantismo no Brasil", Alderi Souza de Matos. <link>
9. "A Teologia Negra: Uma introdução", Filipe Dunaway. <link>


 esta soy yo!Eli Belizário
Cristã, afrofeminista
sábado, 4 de agosto de 2018 Nenhum comentário
Tua meia palavra dita,
farta-me a dúvida.
Tal como a Lua quando não se mostra inteira,
no entanto, todos sabem que é noite.

Autossuficiência - Um eu pra chamar de meu

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As distorções sociais e os padrões do que é belo tem base na construção de visão eurocêntrica. É quase inevitável que nós, cresçamos não gostando o bastante do que vemos, uma vez que o que vemos não é considerado belo.

Há mais de 4 anos, eu decidi que as amizades masculinas eram menos violentas comigo. Quando cheguei no ensino técnico, eu tinha uma amiga, que veio comigo dos dois últimos anos do ensino intermediário.
Eramos nós duas. Mais tarde, eramos nos duas e quatro meninos. E depois, eramos eu e mais quatro meninos e foi assim até o término.

A época, pra mim era vantajoso ter amizades masculinas ao invés de femininas. O meu pensamento era o seguinte: 
  1. Eu não estou a altura dessas meninas, logo, elas não vão querer andar comigo;
  2. Os meninos são menos exigentes;
  3. As namoradas desses meninos nunca terão problema comigo - porque eu não sou mais bonita do que elas.


Eu tinha 17 anos. Quem tem esse pensamento à beira de se tornar adulta? Pessoa que se sente submissa a alguma coisa - no meu caso, o não conhecimento de tudo que era.

Esse período, foi justamente quando fiz o tal grande corte (big chop).
Meus amigos homens nunca questionaram, talvez não teria sido assim com as meninas, ou talvez aqueles meninos não tiveram coragem suficientemente para me questionar, ou talvez ainda, aquilo fora irrelevante para eles. Mas eu desconfio que em algum momento, longe de mim, certeza que eles conversaram sobre isso.

Naquele tempo, eu nem imaginava o que podia ser a independência emocional. Eu alimentava o mal que me consumia. Eu acreditava que as pessoas viam em mim, o que eu também via em mim. Acreditava que eu era difícil de ser amada e que deveria buscar estar perto de quem me engolia sem cara feia - e por dentro, eu os agradecia por isso.

Mas agora, é importante que a gente trabalhe no desenvolvimento dessa autonomia. Não há nenhuma bondade com nós ao nos reduzirmos.
A nossa relação com nós, deve ser simultânea a qualquer outra relação. Porque, quando a gente precisa de forças pra continuar, é só nós mesmos que nós temos. A felicidade e o amor, estes, precisamos construir dentro de nós, pra não precisarmos depender disso vindo outro.

Quando a alma sangra a gente precisa pedir socorro. É difícil se reconstruir diante da rejeição vinda da rotulação de inadequação social. E essa rejeição não pode nos transferir a culpa, porque o não querer/a rejeição não depende de nós, isso também é proveniente de quem faz essa escolha - "se o racismo não me acha bonita e importante, o causador desse problema não sou eu".

E não importa em qual lentidão isso aconteça, progresso é progresso.
E depois que a gente conquista essa autossuficiência, o negocio é perseverar. Perseverar pra não cair na tentação do regresso.

(Esse texto é quase que uma réplica integra do meu último vídeo)

Carta introdutória Àquele que não gerei

segunda-feira, 30 de julho de 2018 Nenhum comentário
Eu sonhei com você. Sonhei com o dia que eu descobriria sobre seu interesse em confiar em mim. Sonhei com minha barriga tão redonda e calorosa quanto o Sol. Sonhei preparar a sua chegada, com meus seios fartos.

Eu acreditei em mim. Acreditei que nasci para ser tua mãe. Acreditei que meus braços ficariam macios e minhas mãos se tornariam mais firmes do que agora. Eu acreditei que você teria um pai, muito melhor que a mim.  Acreditei.

Eu pensei que seria uma mãe com sorte. 

Então lembrei de todas as vezes que de algum modo me fizeram sentir indigna da vida e acreditei. 

E então eu decidi. Eu não decidi só, as estatísticas, as ações negativas, as instituições... Eu decidi não gerar você porque dói demais não ser reconhecido como humano. Decidi que o mundo é indigno de você, na mesma quantidade que é indigno de mim - porque não pode ser o contrário.

As minhas preces - isso, quando eu consigo - agora são por você.
Desaprendi te desejar. Desaprendi porque teu rio de lágrimas não poderia desaguar em mim. Há tempo transbordo - e você, afogaria?.
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Escrevo ao filho que não terei. Ao fim do todo, espero que perceba que não sou suficientemente egoísta.
 
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