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Samaúma: De rainha das árvores à lâmina de compensado

segunda-feira, 22 de outubro de 2018 Nenhum comentário

📷: "Brincadeiras nas raízes de uma Sumaúma – Araquém Alcântara" <link>

A Samaúma, Sumaúma ou Mafumeira (Ceiba pentandra Gaertn), pertencente a família Bombacaceae, pode ser encontrada na Amazônia brasileira. Seu crescimento é relativamente rápido e pode alcançar dentre 45m até 70m - porém existem registros de que já foram encontrados exemplares que alcançaram 90m -, possui um tronco com bastante volume e raízes sobre o solo como contrafortes - que atinge até 3m totais de diâmetro - e uma copa amplamente horizontal que pode ser vista de longe - que é usada de abrigo por pequenos animais.
Suas origens são da América Tropical, África Ocidental e Sudeste da Ásia, e se difunde em florestas tropicais próximas às margens de rios. Consegue retirar água das profundidades do solo, e assim abastecer a si mesma e com o mineral 'excedente', irriga outras espécies nas suas proximidades.

Na cultura da civilização Maia, era conhecida como "Arvore da Vida", pois acreditava-se que dentre as raízes e o topo, estavam conectados o "centro da terra com o submundo e o paraíso".
Pelos indígenas, é chamada de “mãe de todas as árvores” e “escada para o céu”, pela sua escala monumental. Também era/é utilizada como instrumento de comunicação, a partir de batuques em suas raízes.

Seu segundo uso principal, é o aproveitamento das sementes, "kapok", que se parecem com o algodão e são utilizadas para fins de enchimento de artigos para a hora do sono (hoje travesseiros, mas antes, também em colchões) e decoração (almofadas) e possui alta inflamabilidade. São também usadas para fins medicinais, sendo as partes, a seiva e o chá de sua casca, respectivamente, para a cura de conjuntivite e tratamento de malária. Já o óleo produzido por suas sementes, destina-se para produção de sabão.

📷: "Kapok" <wikipedia>

A prática ilegal e aética de seu corte, por um lado assegura a sobrevivência das famílias (trabalhadores que se movimentam em qualquer período do dia, além de ‘disputarem’ entre si, quem chega primeiro para tal ação). Em alguns casos, o material é contrabandeado à República do Peru, através da fronteira desprotegida sobre o rio Javari - afluente do Rio Solimões, que nasce na República do Peru, na serra da Contamana -, onde as serrarias operam “sem controle” ou sem “maiores problemas”, como afirma o próprio proprietário de uma das serrarias.

A vida da Samaúma no coração amazônico é fundamental para a manutenção da biodiversidade, mas mesmo com tamanha grandeza (geográfica, cultural, medicinal e espiritual) vem sofrendo ameaça de extinção - não se reproduz com tanta facilidade - pois está sendo devastada clandestinamente através de mão-de-obra relativamente barata - de moradores locais, que dependem desta atividade para a sustentação da família - pagas pelos senhores madeireiros que usam para fabricação de compensados (tapumes de construções, na fabricação de móveis, carrocerias de caminhões, assoalho de container, embarcações para navegação, caixaria de construção e ainda como isolamento acústico), embarcações e pasta celulósica.

Sobretudo, o desmatamento massivo é nocivo e também ameaça a vida das tribos indígenas locais, como a dos Mundurucus, que vivem em confrontos contínuos pela sua sobrevivência e proteção de suas terras, isso quando não são destituídos de seu território sob ameaça de pistoleiros a mando dos madeireiros, como já acontecera.

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Referências: 1. "Samaúma". IGUi ecologia <http://www.iguiecologia.com/samauma/>
3. "Samaúma, a árvore da vida". Samaúma viagens <http://www.samaumaviagens.com.br/samauma-arvore-da-vida/>
4. "Samaúma - a rainha da floresta". Caliandra do Cerrado <http://www.caliandradocerrado.com.br/2009/05/rainha-da-floresta.html?m=1>
 
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