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Abri os segredos da cidade

terça-feira, 20 de novembro de 2018 Nenhum comentário











Mapeei as tristezas e os territórios que as escondem
Pois, sabendo, poderás desviar o teu caminho

Entrementes, os passos ficarão mais curtos que as tuas pernas
Envolverás tu com a sujeição, deixando que fuja a liberdade?

Se permaneceres mais tempo recolhido
Que segurança impedirá que a boémia tristeza, não encontre o caminho de casa?

Porventura, encontrando-te despreparado
Não lançarei em teu rosto minha descoberta
Nem aguçarei os teus anseios arrependidos

Encorajarei que permaneças
E, percebendo a tristeza tua indiferença,
tomada será pela inapetência.

Enquanto encontro, encanto

sexta-feira, 2 de novembro de 2018 Nenhum comentário
Quem dirá, pois, que não valera
o breve arrepio do beijo devasso?
A surpresa do abraço repentino?
O sonhar com a vitória da batalha inerte?
A recepção de um olhar piedoso?

Ora, não são também inigualáveis, as felicidades miudinhas?

O que há a ser perdido, ao executar as não promessas?
Não há encantamento no que quase nada - ou nada - surpreende.

Se tens a quem amar

domingo, 14 de outubro de 2018 Nenhum comentário
Nos tempos sombrios meu peito salta com mais força.
As emoções ficaram mais flácidas?

Tenho o mesmo sentimento da criança que espera pela retirada do sutiã:
hora desespero, noutra felicidade.
Ficaram mais afloradas as sensações?

Eu não tenho nada.
Nem a posse da contenção.

Não há tempo mais preciso que este para que amem, os amantes.

Minha história é dureza e ainda não aprenderam a me amar.

Eu escrevo porque sofro.
Em múltiplas unidades.
Quando não estou escrevendo, estou sofrendo.

Poema da revolta e rebeldia

quinta-feira, 11 de outubro de 2018 Nenhum comentário
"Eia! Essas revoltas contidas
Que aparecem na juventude
Dos doidos poetas
E que com eles dormem!

Tenho a minha revolta
Que dorme em cama dura
Sobre tábuas frias e estreitas
E que dá rebeldia às letras

Uma rebeldia de eternidades
Passada de mãos em mãos
De caneta para caneta

Poeta é revolta, poesia é rebeldia
Poeta sem revolta é poeta morto
Poesia sem rebeldia é letra morta.

II

Voem livres meus versos e desafiem os hipócritas
Voem livres minhas letras e desfaçam as máscaras
Tirem de todo tirano a pintura da mentira
Sejam denúncia, sejam justiça, sejam revoltas

E tragam para os nossos dias a Esperança

Porque a rebeldia nada mais é do que isso
A incansável maneira de se desejar outra realidade
Pois este mundo que foi mal inventado e nos é imposto
É sonho de poucos e de muitos apenas tronco e açoite."

Fernando Nandé. "Poema da revolta e rebeldia" <link>

prudente como a serpente

domingo, 30 de setembro de 2018 Nenhum comentário
não excites o meu amor,
até que queiras.

Nosso destino há de ser um só (Se quiseres)

sexta-feira, 28 de setembro de 2018 Nenhum comentário
Ante, trocaram o segredo das fechaduras,
ergueram muralhas no quintais,
minaram as calçadas...

Quando a fera romper as grades e o concreto,
Decerto, ninguém há de ser poupado

Mas tu,
Inocente alvo, presa primeira
De tudo, ainda seremos filhos do Deus de Davi,
Pequenos, juntos, a colocaremos por terra.

contrapoder

terça-feira, 4 de setembro de 2018 Nenhum comentário
se desmedido meu proveito
apague as luzes e não me olhe na penumbra da saudade,
perdida,
sem rumo

anuncie, pois, 
da pedra mais alta da cidade
pra que outras moças não comprem o meu paradoxo.
_
se as propostas de parceria te desafiarem a ser inconsistente em tuas verdades, querida, não se corrompa. desaposse-me do meu bem!

"Das utopias"

quinta-feira, 30 de agosto de 2018 Nenhum comentário
"Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!"

💬 Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro (30 Julho 1906 - 05 Maio 1994).

via: "Escritas.org"

"Still I Rise"

quarta-feira, 29 de agosto de 2018 Nenhum comentário
"Você pode me inscrever na história
Com as mentiras amargas que contar
Você pode me arrastar no pó,
Ainda assim, como pó, vou me levantar

Minha elegância o perturba?
Por que você afunda no pesar?
Porque eu caminho como se eu tivesse
Petróleo jorrando na sala de estar

Assim como a lua ou o sol
Com a certeza das ondas no mar
Como se ergue a esperança
Ainda assim, vou me levantar

Você queria me ver abatida?
Cabeça baixa, olhar caído,
Ombros curvados como lágrimas,
Com a alma a gritar enfraquecida?

Minha altivez o ofende?
Não leve isso tão a mal
Só porque eu rio como se tivesse
Minas de ouro no quintal

Você pode me fuzilar com palavras
E me retalhar com seu olhar
Pode me matar com seu ódio
Ainda assim, como ar, vou me levantar

Minha sensualidade o agita
E você, surpreso, se admira
Ao me ver dançar como se tivesse
Diamantes na altura da virilha?

Das choças dessa história escandalosa
Eu me levanto
De um passado que se ancora doloroso
Eu me levanto
Sou um oceano negro, vasto e irrequieto
Indo e vindo contra as marés eu me elevo
Esquecendo noites de terror e medo
Eu me levanto
Numa luz incomumente clara de manhã cedo
Eu me levanto
Trazendo os dons dos meus antepassados
Eu sou o sonho e as esperanças dos escravos
Eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto."

💬 Poema de Maya Angelou. Escritora, ativista, foi dançarina, cantora, motorista de ônibus, editora de uma revista no Cairo (Egito) e assistente administrativa em Gana, atriz, professora e pesquisadora, entre outras atividades. Foi amiga de alguns dos maiores líderes negros do século 20, como James Baldwin, Martin Luther King Jr. e Malcolm X.

tradução: "Francesca Angiolillo"
via: "Folha

"Blackbird"

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"Por que você quer voar pássaro negro?
Você jamais vai voar

Não há lugar grande o suficiente para suportar todas as lágrimas que vai chorar

Porque o nome da sua mãe era solidão e o
nome de seu pai era a dor

E eles te chamam de pequena tristeza porque
você nunca vai amar novamente
Então porque você quer voar pássaro negro
você jamais vai voar

Você não tem ninguém para te abraçar você
não tem ninguém para cuidar

Se você apenas entender querida ninguém
quer você em qualquer lugar

Então porque você quer voar pássaro negro
você jamais vai voar."

💬 Música de Nina Simone. Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo nome artístico (Tryon, 21 de fevereiro de 1933 – Carry-le-Rouet, 21 de abril de 2003) foi uma pianista, cantora, compositora e ativista pelos direitos civis norte-americanos.

letra: "Vagalume"

"Ain't I a woman?"

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"Bem crianças, onde há muita algazarra, deve haver alguma coisa fora da ordem. Eu acho que com essa mistura de negros do sul e mulheres do norte, todos falando sobre direitos… os homens brancos vão estar em uma enrascada rapidinho. Mas sobre o que estamos falando aqui?

Aqueles homens ali dizem que as mulheres precisam de ajuda para subir em carruagens, serem levantadas sobre valas e ter o melhor lugar onde quer que estejam. Ninguém jamais me ajudou a subir em carruagens, ou a saltar sobre poças de lama, ou me deu qualquer “melhor lugar”! E não sou uma mulher? Olhem para mim!

Olhem para meus braços! Arei a terra, plantei, juntei a colheita nos celeiros, e nenhum homem podia se igualar a mim! E não sou eu uma mulher? Eu podia trabalhar tanto e comer tanto quanto um homem – quando eu conseguia comida – e suportar o chicote também! E não sou uma mulher? Eu pari treze filhos e vi a maioria deles ser vendida para a escravidão, e quando eu chorei meu luto de mãe, ninguém a não ser Jesus me ouviu! E não sou uma mulher?

Daí eles falam dessa coisa na cabeça… como eles chamam isso? Intelecto. É isso mesmo, querido. Bem, o que isso tem a ver com os direitos das mulheres? Ou com o direito dos negros? Se o meu copo não tem mais que um quarto, e o seu está cheio, não seria maldade não deixar que eu tenha minha meia medida cheia?

E aí vem aquele homenzinho de preto ali e diz: “Mulheres não podem ter os mesmos direitos que homens porque Cristo não era mulher!” Ora, de onde veio o seu Cristo? De onde veio o seu Cristo? De Deus e de uma mulher! Homens não tiveram nada a ver com isso. Se a primeira mulher que Deus fez foi forte o bastante para virar o mundo de cabeça para baixo sozinha, todas estas mulheres juntas aqui devem ser capazes de colocar ele de cabeça pra cima de novo! E agora que elas estão pedindo para fazer isso, é melhor os homens deixarem!"

💬 Não sou eu uma mulher?, proferido por Sojourner Truth em 1851 durante uma convenção em Akron, Ohio, Estados Unidos. 
Sojourner - nascida Isabella Baumfree em 1797, ela mudou seu nome em 1843 para Sojourner, que significa "peregrina" -, escrava liberta que se tornou abolicionista e ativista pelos direitos das mulheres.

disponível em: "Clarices e Marias"

a me perder de vista

segunda-feira, 16 de julho de 2018 Nenhum comentário
teus olhos,
teus olhos não podem reduzir minha cor a da poça de lama
enquanto desejas me sentir à pele
teus olhos,
teus olhos não podem cobrir minha imensidão
ficaram pequenos,
pequenos demais
o que vês,
são só partes de mim
o que não conheces,
não podes amar.

Três vezes um terço

segunda-feira, 2 de julho de 2018 Nenhum comentário
Se tua beleza morasse só noutros olhos
Haveriam sete bilhões de reis
Tangeriam sete bilhões de palavras absolutas

Posto que pedisses fidelidade
Qual a certeza de que te descrevessem à risca?
Quão confiáveis seriam os olhos que não te devessem lealdade?

Com sorte*,
Podes reparar só, cada parte.















_
Mulheres negras - crianças, adolescentes e adultas -, precisam de ajuda para rasgar a venda. E a probabilidade de desconhecer o que enxerga, é de 3/3 - digo também, da beleza para além da visível. O intuito do racismo patriarcal é a omissão da humanização.
*De fato, a sorte não é sorte. O nome é outro.

2. Equivocanálise: "Orgia"

quinta-feira, 7 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quem se atreverá beber de mim?
Um ébrio incapaz de me conter nas mãos?
Ou outro a pôr em risco o juízo?
Um velho que me agitará entre os dentes?
Ou outro frenético aos goles imprudentes?
Quem proibirá a paixão concomitante de meus amantes?

-
Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Broto de tabaco bruto

segunda-feira, 4 de junho de 2018 Nenhum comentário
Quando dizem que não sairão da minha vida
Digo logo que estão certos

Quero ver,
quero ver saírem ilesos

Me consomem por prazer,
mas sou fumo com ira aguçada
Enegrecerei teus pulmões
do tudo, até não sobrar nada.

O começo da perenidade se parece finitude

quarta-feira, 30 de maio de 2018 Nenhum comentário
4.

Meu pedaço fértil pareceu descer à sepultura
O outro, impenetrável, à beirada do despenhadeiro,
distante de dentro dos seus braços (que cruzados, se afastaram de mim)
Me transformei em dentes com raízes expostas,
a pouco da queda
Reclamei da velocidade da vida...
Fui ferida aberta banhada em sal...
E no intervalo, entre um destroço e outro,
no peito acelerou uma batucada
o som açucarado da sua voz, como suspiro na ponta da língua:
"Morte é reinvento, é reinvento!"

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Transição < Saudação < Transcendência (A hora da redenção)O começo da perenidade se parece finitude 

1. Equivocanálise: "Despudoradamente"

terça-feira, 29 de maio de 2018 Nenhum comentário
Despossuída de culpa,
te pico e não fico
Ou, me peça e eu não faço
Paro! Sobre o término do limite da minha liberdade.

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Equivocanálise: análise equivocada, de meus atos e/ou minha gramática.

Transcendência (A hora da redenção)

Nenhum comentário
3.

Naquela hora tomei os temores de todos para dentro de mim
E temi as noites sem orações (e a descrença nas palavras de minha boca)
E temi a fraqueza da aliança com Deus
E subiu à mente as vezes que inclinei ao rompimento do entrelace de nossos dedos
E temi não alcançar outro milagre
E senti percorrer dentro de minhas veias, leite azedo em desaproveito
E quando tudo se deu conta do meu medo, desceu ao coração: a renúncia à morte
E meu sangue voltou ao viço
E como acalento, seu adeus: "Rogai por mim?!"
E parte de mim, se foi...

-
Transição < Saudação < Transcendência (A hora da redenção) > O começo da perenidade se parece finitude 

Saudação

domingo, 27 de maio de 2018 Nenhum comentário
2.

Se me escutas
Noutro sonho efêmero te vi
presente à cabeceira,
ansiando o desdobramento das minhas pálpebras.

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Transição < Saudação > Transcendência (A hora da redenção) > O começo da perenidade se parece finitude 

Transição

terça-feira, 22 de maio de 2018 Nenhum comentário
1.

Tu, despejo
Em vão convida-me à assistir a própria glória
Quando me viste cear com o inimigo?

(Desassossegada me prendera à frente
Rasguei o ventre,
desabrochei tórrido e rosado)

Tu, desgosto
Tornaste eu-broto álgido e pálido.

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Transição > Saudação > Transcendência (A hora da redenção) > O começo da perenidade se parece finitude 

 
Desenvolvido por Michelly Melo | Ilustração por heypik.com